Arte que tinge a vida

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Antonio Massola, conhecido artista plástico de Perdizes, mostra sua arte em quadros, esculturas e na rua, onde seus desenhos de grandes proporções enfeitam a vida de milhares de pessoas. Acompanhe.

Apaixonado por futebol, pela Bahia, por orixás, por Perdizes, por arte de rua e atualmente também pelo skate, o artista plástico Antonio Massola é um dos filhos queridos do bairro. Sua obra se mescla com sua vida e ele segue pintando, como se atendesse a um chamado superior, como ele mesmo descreve. Hoje, aos 61 anos de idade, é reconhecido internacionalmente, tendo obras expostas em diferentes países da Europa e em vários lugares importantes de nosso país. Atualmente, ele foca seu trabalho na arte de rua, sendo responsável pela famosa pintura da Escadaria Sumaré, situada na Praça Irmãos Karman, que teve grande repercussão e que encanta os olhos de quem passa por ela, ou a atravessa.

Ele conta com exclusividade para a equipe do Guia Daqui Perdizes que sua paixão por arte começou bem cedo, após concluir um curso técnico de Publicidade e Propaganda nos idos anos de 1960. “Quando eu estava com uns 19 anos, eu já havia sido diretor de arte júnior de uma grande agência… fui o responsável pelo pedido (inaugural) de compra de pinceis, tintas e pranchetas do primeiro estúdio agência DM9”, conta.

Antonio diz que, como também sempre foi um apaixonado por futebol amador, chegou a jogar no São Paulo Futebol Clube, ainda naquela época. “Entrementes ao meu trabalho com arte, fui fazendo vários testes em clubes e passei no do São Paulo. Eles me mandaram pro interior do Estado, mas eu desobedeci, peguei todos os papeis do clube e fui viver o meu outro grande sonho: fui pra Bahia e joguei por uns quatro meses no Vitória”, relata o artista, divertindo-se.
antonio-massola05-dpp-ago-tg Ele continua, contando que após a sua incursão pelos mundos do futebol e da publicidade, se graduou na Universidade Federal da Bahia e passou a se dedicar à pintura e à restauração. “Naquela época ainda (quando estava com 19 para 20 anos), conheci o Museu do Carmo, de Salvador e seu prior, o frei Eliseu Vieira Guedes, então com 87 anos. O prédio do museu foi o quartel-general dos holandeses por volta de 1624, e foi ali que Mauricio de Nassau assinou a rendição. Como eu já tinha me especializado em restauração, ofereci meus trabalhos para o frei e ele topou. Comecei restaurando pequenos objetos, fazendo repintura com alfinete e, depois passei a restaurar outras coisas maiores”, recorda.

Nesse momento de sua vida, Antonio pintou muitos quadros de arte sacra (como o entitulado “Luz de Todas as Manhãs”, o “Museu do Carmo”, entre outros), assim como telas e esculturas de diferentes orixás. “Cheguei a pintar muitos dessa coleção e, como o museu tinha muita visitação de turistas, eu deixava o cavalete armado, ia pintando e vendendo as telas.”

antonio-massola20-dpp-ago-tgAo voltar para São Paulo, lá por volta de seus 26 anos de idade, Antonio passou a pintar telas referentes à cidade, com tons cinzas (como sua obra entitulada “Ponte Estaiada”), mais urbanas, outras mais coloridas, onde mostrava os prédios e transmitia a sensação de pressa, tão comum aos paulistanos de todos os tempos. O artista casou, teve filhos e sua vida foi se desenvolvendo em Perdizes, na mesma casa onde se mudou aos sete anos de idade e onde ainda reside. “Quando voltei para a cidade e o bairro em que nasci, passei a negociar meus trabalhos bem rapidamente. Encontrei um comprador que pagava por minhas telas e as revendia. Isso me serviu como um laboratório, pois eu produzia muito, ganhava bem e sustentava a família, que estava crescendo”, declara.

Por volta dos anos de 1980, Antonio passou a desenhar grafites nas ruas, incentivado pela arte de Alex Vallauri (que viveu entre 1949 e 1987 e trouxe o grafite para o Brasil na década de 1970, desenvolvendo uma espécie de poema visual com várias polifonias). É dessa época (1987), uma pintura que Antonio fez no Viaduto da Doutor Arnaldo e que foi premiada pelo Museu de Arte de São Paulo – MASP. “Fiquei na 6ª colocação, concorrendo com mais de 3 mil inscritos no concurso feito pelo museu”, relembra.
De lá para cá, as obras de Antonio enfeitam diferentes lugares do mundo, expostas em locais importantes da França, Itália, Suiça, Portugal, Brasil, entre outros. É de sua série “Carpas”, que teve início na própria casa do artista, como um experimento inicial, a pintura da Escadaria Sumaré. Para o futuro, o artista promete surpresas à comunidade do bairro, como a pintura do muro do Parque da Sabesp, seu novo projeto.

Há pouco mais de um mês, Antonio sofreu dois infartos, apesar de sua boa alimentação e de seu cuidado com a saúde (ele faz academia, joga futebol e anda de skate, que aprendeu aos 57 anos de idade). “Descobri que sou querido por aqui e quero pintar muito ainda… e por muito tempo”, finaliza. (ND)

Antonio Massola
Telefone 3865-6832
antonio.massola@hotmail.com

Fotos: Tiago Gonçalves

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