Grafiteiro usa rua como tela

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Tec, grafiteiro e artista plástico, além de grafitar paredes e fachadas de prédios, levou sua arte para as ruas de Perdizes.

As figuras têm 40 metros ou mais. Antes de executar o desenho, Tec faz um estudo do local e um planejamento para executar a obra. “Uso tinta de piso para durar mais e preciso de um dia de sol, e com pouco movimento na rua”.
O sapo verde, que ficou um tempo na rua Caiubi. (Divulgação)

O sapo verde, que ficou um tempo na rua Caiubi. (Divulgação)

Escolhido espaço que vai receber o desenho, Tec munido de um rolo de tinta faz o traçado em duas partes. “Primeiro uma metade e deixo secar. Em seguida, a outra metade e o desenho está pronto. São 2 horas de trabalho”, diz o grafiteiro.  “Geralmente faço tudo sozinho. Na pipa da rua Bartira contei com a ajuda de um assistente que coloriu a pipa enquanto eu fazia a sombra”.

O rato que Tec pintou na rua Caiubi. (Divulgação)
O rato que Tec pintou na rua Caiubi. (Divulgação)

Segundo Tec a pipa colorida remete a uma brincadeira de infância. Ela foi pintada no asfalto em julho, durante o jogo Brasil e Bélgica, pela Copa do Mundo da Rússia 2018. “Escolho fazer meu trabalho em dias de jogos de futebol importantes porque sei que o movimento de veículos nas ruas é menor e assim tenho mais tranquilidade para fazer o trabalho”.

A escolha pelas ruas Bartira e Caiubi, em Perdizes próximos ao cruzamento com a avenida Sumaré, e pela geografia.  Os desenhos ficam no aclive e eles são visualizados por quem desce a rua, seja a pé ou de carro.

Outros trabalhos semelhantes foram feitos por Tec em ruas de São Paulo e em Buenos Aires, onde o artista compartilha um ateliê juntamente com outros artistas de rua. Essas intervenções e outras que Tec já realizou podem ser visualizadas em imagens e vídeos no site e na página do Facebook.

Em Perdizes, o primeiro desenho que Tec fez foi um sapo verde, na rua Caiubi. Posteriormente o desenho recebeu um “Temer Jamais” que não foi pintado pelo artista. “Fui avisado que seria feito esse protesto, mas como a rua é pública eu não posso impedir que ninguém faça uma intervenção em meu trabalho. Minhas figuras têm como objetivo causar surpresa e deixar as ruas mais interessantes”.

A recepção dos moradores dos trechos onde Tec fez suas intervenções “sempre foram positivas. Não peço autorização para ninguém e nem seria viável. Mas em geral, as crianças são as que gostam mais. Mas já tive alguns problemas. Uma figura que fiz em Pinheiros, foi dias depois coberta de preto por alguém que curiosamente cobria o desenho vestindo um fraque!”.

Tec nasceu em Córdoba, a segunda cidade mais populosa da Argentina. Estudou artes plásticas em Buenos Aires, mas não concluiu o curso. Sempre grafitou pela capital argentina. Está em São Paulo há 17 anos. “Até me considero um paulistano!” se declara.

Mural "Cegueira" ocupa lateral de prédio na rua Amaral Gurgel, (Divulgação)
Mural “Cegueira” ocupa lateral de prédio na rua Amaral Gurgel, (Divulgação)

Mas ele não gosta de aparecer. Para fotografá-lo para esta entrevista, em seu ateliê na Barra Funda, ele fez algumas exigências, que foram atendidas. “Prefiro mostrar os meus trabalhos. Como faço arte na rua prefiro não me mostrar muito”, justifica o artista.

Em São Paulo um dos trabalhos mais visualizados é o painel “Cegueira”. Ele ocupa uma lateral de um prédio na rua Amaral Gurgel e pode ser admirado por quem circula pelo Minhocão. “É um dos maiores murais de São Paulo e levei mais de um mês para fazer o painel. Assim como outras intervenções pela cidade, todo o material é bancado por mim”.

Tec acredita na função social da arte. Sempre que convidado, faz palestras e oficinas com alunos de escolas públicas. Em algumas escolas públicas ele levou para os muros externos da escola os desenhos feitos pelos alunos.

Sua carreira artística vai além do Brasil e da Argentina. Tec ficou conhecido internacionalmente com a mostra “De Dentro e de Fora”, realizada em 2011 no Museu de Arte de São Paulo, o MASP. Teve seus trabalhos expostos em outras cidades do mundo como Nova York, Washington, Barcelona, Berlin, Colônia e participou de várias feiras de arte como a ArteBA (Argentina), a SP-Arte (São Paulo), ArtRio (Rio de Janeiro) e a Scope Miami Beach (Estados Unidos). No momento está finalizando uma escultura toda construída com recicláveis que fará parte da mostra de grafite que acontecerá no Memorial da América Latina, na Barra Funda.

Exposição Rock & Drones na galeria Choque Cultural na Vila Madalena (Divulgação)
Exposição Rock & Drones na galeria Choque Cultural na Vila Madalena (Divulgação)

Atualmente, Tec está com a exposição individual “Rock & Drones”, em cartaz até o dia 6 de outubro na galeria Choque Cultural (R. Medeiros de Albuquerque, 250, Vila Madalena). São imagens e grafismos coloridos. “São 15 obras inéditas em telas além de fotografias feitas por Tec de seus trabalhos nas ruas e vídeos que usam a perspectiva à distância e combinam técnicas pictóricas e artifícios tecnológicos para convidar o espectador a perceber os detalhes em suas diversas camadas”, diz. Há, também, um vídeo-drone inédito, concebido a partir de suas intervenções na cidade. Vale a pena conferir. (GA)

www.tecalbum.com.br

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