Dança para cidadãos

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Em outubro, quem nunca dançou ou está parado há muito tempo, pôde se inscrever para participar do Projeto Cidadão Dançante, dirigido pelo coreógrafo Ivaldo Bertazzo. O Projeto irá reunir no palco para uma apresentação cênica um elenco formado por 150 cidadãos dançantes – pessoas provenientes das mais diferentes atividades profissionais que se reúnem em torno de uma atividade comum, procurando novas possibilidades de expressão artística, contribuindo para a expansão do entendimento do universo cultural e social brasileiro. A estréia do espetáculo será no final de abril de 2007 e ficará em cartaz durante três semanas em São Paulo.
Ser um cidadão dançante é resultado de um intenso trabalho de percepção e modificação do corpo. É fornecer inspiração aos gestos do cotidiano para tirar “o cotidiano dos gestos” e assim, alcançar novas formas rítmicas de comunhão corporal. A consolidação do novo espetáculo vem ao encontro do modelo a que se propuseram desde o início os trabalhos de Ivaldo: pensar as relações culturais e sociais brasileiras, dando continuidade aos 28 espetáculos marcantes realizados ao longo dos 30 anos de sua carreira.
Desde 1976, a cidade de São Paulo viu surgir uma nova linguagem cênica: coreografias elaboradas por Ivaldo a partir de movimentos simples do corpo humano e da consciência corporal dando condições para que uma multidão de pessoas de todas as idades, das mais diferentes formas físicas (altos, baixos, gordos, magros) se reunisse no palco. Todos têm a oportunidade de experimentar o que é ser um artista, expondo-se a uma aventura ainda não vivida. Interessante é que 86% dos participantes são mulheres, sendo que grande parte são jornalistas, educadores, psicólogos e estudantes.
O que significa estar diante de tantos olhares? A sociedade contemporânea, por vezes inibe nossa comunicação, impossibilita o contato mais íntimo com o corpo e suas múltiplas potencialidades, diminuindo o prazer do encontro. A dança com os cidadãos dançantes reúne mais de uma centena de pessoas para dançarem juntas em harmonia e beleza. O espetáculo traz para a cena uma multiplicidade de danças; revela a dualidade corpo/espírito, masculino/feminino, sagrado profano.
Em grupo crescem as possibilidades de lançar pontes para a integração de um conjunto maior da sociedade. Crescem as harmonias do convívio na experiência coletiva de perseguir um propósito comum que o grupo tenha elegido momentaneamente como seu. Esse propósito pode ser dos mais simples, como a construção de um objeto material, ou a preparação de uma festa, ou pode ser dos mais carregados de implicações e conseqüências. No agir coletivo, acontece de imediato uma distribuição energeticamente diferente no corpo das pessoas. A ansiedade de encontrar soluções para as carências é posta de lado, como se ao homem fosse pedido e concedido um tempo para respirar. Enquanto se envolve no programa coletivo, o homem conversa com os outros (em lugar de somente contar e comparar) e se tranqüiliza, experimenta papéis diferentes, personagens novos; o homem ousa ir além dos limites conhecidos porque se sente em ambiente amigo; e, ao final, se enriquece.

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