Alegria e conscientização no Bloco Mamãe Eu Quero

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Foto: Divulgação

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Lucas, Helen (de Lady Bird) e colegas do Mamãe Eu Quero

O bloco de Carnaval Mamãe Eu Quero foi criado para as crianças e, além da alegria, se preocupa em transmitir bons exemplos.

A fisioterapeuta Helen Henrique é uma das fundadoras do bloco carnavalesco Mamãe Eu Quero. Moradora de Perdizes e dona da Academia Hidro e Terapia, ela conta que tudo começou quando seu filho, Lucas, pediu para mudar para o Rio de Janeiro. Mãe e filho tinham ido algumas vezes para curtir a praia e brincar o Carnaval. “Ele queria praia e Carnaval. Respondi que a praia seria difícil, mas o Carnaval aqui poderia ser possível”, diz.

Antes de criar o próprio bloco, Helen tentou, junto aos blocos que participa, formar uma ala infantil mas “a resposta não foi positiva e, então eu e amigos resolvemos criar um bloco exclusivo para as crianças. Afinal, levar as crianças em um bloco de adultos é perigoso.”

Helen se diz carnavalesca desde sempre, “e quando pensamos no bloco, conversei com a minha família e outras amigas e amigos que tinham crianças e queriam levá-los para brincar o Carnaval com segurança. A ideia cresceu, muita gente ajudou e o bloco saiu pela primeira vez, em 2015. E escolhemos a Praça Irmãos Karmam, em Perdizes, porque é um espaço onde muitas das nossas crianças vão para brincar no parquinho.”

No primeiro ano, Helen conta que chegou a reunir “umas três mil pessoas. No ano seguinte, dez mil e no ano passado, cerca de 15 mil pessoas. Nem nós prevíamos um crescimento tão grande. Neste ano, imaginamos que teremos mais gente. É uma loucura!” Esse crescimento dificulta um pouco a circulação do bloco. “Mas como somos um bloco infantil, fica mais seguro para as crianças e os pais o Mamãe… ficar parado, mas a alegria e a diversão é igual!”

A diferença do Mamãe Eu Quero, que Helen coordena com ajuda de outros amigos que ela chama de “ação entre amigos” é focar nas crianças. “Ninguém faz um bloco sozinho. Somos cerca de 30 a 40 pessoas que se dedicam ao bloco. A  diferença são as crianças. Elas são os diretores do nosso bloco. Elas escolhem as músicas que vamos tocar, participam da bateria juntamente com os adultos. Tudo é muito lúdico e as crianças se divertem muito.” E como querem transmitir valores, o bloco sugere que os adultos que acompanham o bloco não bebam e não fumem durante a apresentação. “A maioria entende perfeitamente e colabora. Mas não podemos proibir ninguém!”, lembra Helen.

Mamãe Eu Quero, fantasia e animação desde 2013 (Divulgação)
Mamãe Eu Quero, fantasia e animação desde 2013 (Divulgação)

O sucesso já levou o bloco a se apresentar em outros lugares, como nas unidades do Sesc na capital e no interior entre outros locais. “Temos um público que nos segue e curte”, diz Helen. “Ao contrário dos blocos infantis, que se apresentam com poucos músicos, nós temos a Bateria Encantada, com cerca de 40 integrantes e formada por músicos profissionais, pais, mães e crianças. E todo mundo se apresenta fantasiado!”

Entre outros cuidados que o Mamãe… oferece aos pais que vão ao desfile, estão os algodões para colocar nos ouvidos dos pequenos, “através do Facebook damos orientações gerais como proteger as crianças com protetor solar, hidratação, alimentação…” Por esses e outros cuidados com as crianças, o bloco tem sido inspiração para o surgimento de outros blocos carnavalescos.

A escolha do repertório do Mamãe… é outro ponto onde as crianças mandam. “Ou quase isso… A gente procura atender às novidades que as crianças pedem e evitamos marchinhas como a ‘Cabeleireira do Zezé’ ou ‘O teu cabelo não nega’. As tradicionais marchinhas como ‘Mamãe Eu Quero’ sempre está presente. Tem versões de músicas como rock, funk, samba, além das músicas de filmes como A Bela e a Fera, Fronzen e muita MPB em ritmo de Carnaval fazem parte do repertório. E neste ano, o tema é “Mamãe Passou Açúcar em Mim”. O pessoal do bloco quer que as crianças conheçam a nossa cultura e nossas músicas. E eles cantam naturalmente”, garante.

O bloco se preocupa com a boa convivência com os vizinhos da Praça Irmãos Karmam, “até hoje não tivemos reclamações, embora tenha gente que não gosta de Carnaval”. A limpeza do local, segundo Helen “faz parte das nossas preocupações. Temos uma equipe de limpeza e contamos com a ação da prefeitura regional da Lapa. Afinal, precisamos dar o exemplo para nossas crianças.”

Fora da época do Carnaval, o bloco faz ações sociais em creches e ONGs. “Em julho fizemos uma festa junina para arrecadar roupas para quem precisa. Em dezembro, fomos a uma creche confraternizar com outras crianças”.

No sábado, dia 3 de fevereiro, entre 9 e 10 horas, na Praça Irmãos Karmam, o bloco se apresenta até às 13h. Helen sugere que pais e filhos se fantasiem e apareçam para se divertir muito com o bloco “Mamãe Eu Quero”.
www.facebook.com/blocomamaeeuquero/

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