Ginástica doméstica

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Quem pensa que ginástica só se faz na academia, está muito enganado! Um método mais do que revolucionário, e ainda por cima, divertido, foi criado pela professora de educação física, Cecília Faipó: é a ginástica que utiliza utensílios domésticos, chamada de Domestic Move.
Tudo começou com o trabalho que Cecília fazia de SPA doméstico. Ela levava todo aparato necessário para qualquer lugar onde fosse solicitada. Entretanto, desiludida com a forma como a promoção de saúde era aplicada, e cada vez mais consciente de que não somos somente “corpo”, mas um conjunto de sensações, capacidades, sentimentos e estruturas orgânicas, ela começou a mudar o rumo do seu trabalho. “Coincidentemente, a Folha de São Paulo me pediu para montar alguns exercícios para donas de casa. Eles queriam algo diferente, que não tivesse cara de academia. Foi quando resolvi usar o balde e descobri as possibilidades do objeto. Vi que ele lembrava um equipamento vendido pela televisão para trabalhar o peitoral e a parte interna das coxas. Para completar, a Folha havia colocado na mesma matéria o fisiologista Victor Matsuda, que estudava as calorias gastas durante os afazeres domésticos. Foi então que percebi: estava provado que havia gastos calóricos com as atividades domésticas, mas ainda não tinham adaptado os movimentos dos objetos às atividades físicas. E era o que eu estava fazendo”.
Cecília criou um vídeo, abriu a Espairecer numa charmosa casa em Perdizes e hoje oferece aulas de alongamento, atendimento nutricional e a ginástica com utensílios domésticos. “No vídeo uso balde, vassoura e flanela. Na casa uso vários objetos: balde, pá, peneira, muitos objetos que são da nossa história braçal. Não está mais restrito à ginástica doméstica. As pessoas acham que é ‘doméstica’, mas não. São domésticos movimentos. Qualquer movimento que a gente se familiariza com ele passa a ser doméstico. O Domestic Move está resgatando todas as atividades braçais da nossa história. As pessoas, principalmente as que não se adequam à academia, se sentem familiarizadas porque são movimentos que construíram a nossa história. O jeito de pegar numa pá faz parte da nossa história. E ao mesmo tempo é uma aula em que as pessoas dão muita risada. Acaba sendo também uma ginástica facial. As pessoas não acreditam na possibilidade de fazer ginástica com esses objetos”, explica.
Mas, será que os resultados destes exercícios são efetivos? Cecília garante que sim, porém a última preocupação das pessoas que cedem aos encantos do Domestic Move é a estética. Quando se vai vencendo um problema, uma lesão, por exemplo, aí sim você quer melhorar a estética”, avalia. Ela explica ainda que o objetivo é mexer com a estrutura do esqueleto: “Este trabalho de construção corporal é desenvolvido por Ivaldo Bertazzo, que admiro muito. Se o esqueleto não está em harmonia, não adiante mexer em nada porque vai ter problemas futuros. Quando ele estiver no eixo, o resto é conseqüência. A estética vem sim, mas num período em que você já está com o esqueleto organizado. Tem que movimentar. Não pode deixar pessoas com problemas articulares sem movimento, senão piora”.
As mulheres já descobriram os prazeres do Domestic Move. As turmas são de, no máximo, dez pessoas e o trabalho é bastante personalizado. As aulas na Espairecer são as terças e quintas-feiras, na parte da manhã e a noite, e às segundas e quartas, a tarde.

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