Gravidez na adolescência

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Elas já nem sonham mais com o príncipe encantado e não lhes falta informação sobre sexo. Mesmo assim, continuam engravidando aos 14, 15, 16 anos. A sexualidade das adolescentes de hoje se desenvolve muito precocemente e nem sempre elas se previnem: o resultado é uma gravidez indesejada que traz sérias conseqüências para a vida dos adolescentes envolvidos, para os filhos que nascerão e para suas famílias.
As estatísticas mostram que, a cada ano, cerca de 20% das crianças que nascem são filhas de adolescentes, número que representa três vezes mais garotas com menos de 15 anos grávidas do que na década de 1970. A maioria dessas adolescentes não tem condições financeiras nem emocionais para assumir a maternidade: sofrem repressão familiar, fogem de casa e abandonam os estudos.
Segundo a psicóloga Maria do Carmo Groke, a adolescente que engravida pode apresentar problemas emocionais e comportamentais, educacionais e de aprendizado. Geralmente, aquelas que iniciam a vida sexual precocemente ou engravidam muito jovens, vêm de famílias cujas mães também começaram a vida sexual muito cedo ou engravidaram na adolescência. “A informação ainda é a melhor forma de prevenir uma gravidez indesejada na adolescência”, diz. As relações atuais se modificaram e o “ficar” é uma das etapas para se iniciar um namoro. É na “balada”, nos barzinhos e nas festas que este encontro acontece. Dois jovens se sentem atraídos e resolvem “ficar juntos” aquela noite. Nesta relação podem acontecer beijos, abraços e até mesmo uma relação sexual completa. Ao evoluir para um namoro, a fidelidade passa a ser considerada muito importante e a adolescente estabelece uma relação verdadeira com um parceiro sexual. Em uma ou outra situação, a gravidez pode acontecer. “Nem sempre é por falta de informação, pois hoje tudo está muito explícito”, observa Maria do Carmo. “Porém, parece que os adolescentes nunca acreditam que com eles possa acontecer. E acontece”.
Quanto aos pais, eles também sentem emoções conflitantes ao verem sua filha grávida. Se a família da adolescente for capaz de acolher o novo fato com harmonia, a gravidez será menos tumultuada. Mas, havendo rejeição ou qualquer tipo de punição, a adolescente poderá se sentir sozinha nesta experiência difícil e desconhecida, procurando sair de casa, abortar ou se submetendo a outras atitudes que, acredita, resolverão seu “problema”.
Entretanto, a sociedade tem passado por mudanças em sua estrutura, inclusive aceitando a sexualidade e a gravidez na adolescência. A avó acaba assumindo a criança gerada pela filha, e esta, muitas vezes, “abandona” a criança, quer continuar fazendo as coisas próprias da idade, sem assumir a responsabilidade de mãe.
Do ponto de vista físico, a adolescente, cerca de dois anos após a primeira menstruação, já está apta a gerar um bebê. Porém, o processo do parto pode ser dificultado por problemas anatômicos e comuns da adolescente, tais como o tamanho e conformidade da pelve, a elasticidade dos músculos uterinos, os temores, desinformação e fantasias da mãe ex-criança, além dos elementos psicológicos e afetivos possivelmente presentes. As piores complicações do parto acometem meninas com menos de 15 anos e serão piores ainda em menores de 13 anos. A mãe adolescente tem maior mortalidade por complicações da gravidez, do parto e do pós-parto. A taxa de mortalidade é duas vezes maior que entre gestantes adultas.
Outro dado importante é que a incidência de recém-nascidos de mães adolescentes com baixo peso é duas vezes maior que em recém-nascidos de mães adultas, e a taxa de morte neonatal é três vezes maior. “Caso a adolescente gestante não faça o pré-natal, corre o risco de entrar em trabalho de parto antecipadamente e o bebê pode nascer prematuro”, acrescenta o médico ginecologista Marcelo Steiner.Para se ter uma idéia, entre adolescentes com 17 anos ou menos, 14% dos nascidos são prematuros, enquanto que entre as mulheres de 25 a 29 anos é de 6%. A mãe adolescente também apresenta, com maior freqüência, sintomas depressivos no pós-parto.
Quanto a esconder a gravidez, Dr. Marcelo acha mais difícil: “As mudanças no corpo são visíveis e, a menos que a menina seja gordinha, a barriga irá aparecer rapidamente”. Ele ressalta a importância da informação assim que a adolescente começa a ter vida sexual ativa. “Ela deve procurar um ginecologista para se orientar não só quanto à anticoncepção e gravidez, mas também quanto às doenças sexualmente transmissíveis (DST’s)”.
A gravidez na adolescência é um problema que deve ser levado muito a sério e não deve ser subestimado, pois este é um período de mudanças fisiológicas, psicológicas e sociais que separam a criança do adulto. Toda atenção é indispensável.

Fonte: PsiqWeb (Ballone GJ – Gravidez na Adolescência – in. PsiqWeb, Internet, disponível em ).

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