A vez do Jornalismo literário

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Karla: Miopia, timidêz e literatura

Dezesseis anos trabalhando em agências de publicidade não foram suficientes para a paulistana do bairro da Pompeia se decidir pela continuidade na carreira. Inquieta e um tanto involuntária, uma noite aproveitou que a família se reunia na sala de TV e alertou que, em um futuro não muito próximo, ela teria preferência homossexual: a garota tinha apenas 11 anos de idade quando esse lampejo visionário tomou a sua consciência para essa condição. Os parentes acharam que era uma viagem infantil e esperaram o tempo passar.
Míope e muito tímida, a solução foi enfiar a cara nos livros para enfrentar essas duas dificuldades da infância, contou à reportagem. O resultado logo foi sentido e, aos oito anos de idade cursava inglês, piano e flauta transversal. Ao mesmo tempo, era a 1ª aluna da classe no Sagrado Coração de Jesus, colégio reconhecido pelo rigor didático.
 Algum tempo depois, alguns namorados e um casamento convencional, a conspiração universal colocou Karla Lima, uma publicitária realizada no setor, no caminho de Patrícia Yuri Assumpção, fundadora e ex-cavaquinista do Grupo Samba de Rainha. Deu poesia. Mas isso é outra história contada no livro “Armário Sem Portas”, escrito por ambas, cuja leitura é leve, divertida e fala da história de um amor transbordante, que até dá vontade de sair por aí procurando a cara-metade.
A graça fica pela magia da transformação anunciada. Do encontro das duas, a certeza de que o mundo nunca mais seria o mesmo. Dos anos vividos em agências publicitárias, das roupas substituídas por outras em novo estilo e um surto de lágrimas, surgiu um questionamento da sua amada: por que você não para com isso tudo e vai fazer jornalismo? Karla foi. E fez tudo direitinho, de novo. Já está no terceiro título e agora sabe o quer. Ou o que não quer.
Por quê você não continua com a literatura gay? A reportagem pergunta. “Porque não quero fechar para um único estilo, já que caminho com liberdade em qualquer gênero”, define.
O título mais recente, “Minha Vida de Brinquedo” se passa em um asilo e para melhor ambientar a narrativa, a jornalista foi fazer trabalho voluntário em uma casa de repouso da capital. Na Livraria da Vila e na Livraria Cultura o preço do exemplar sai por 35 reais e, no site da escritora, custa 40,50 reais, incluindo o valor postal. Vale conferir.

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