Ponto de encontro

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Sesc Pompeia

O Sesc Pompeia foi inaugurado há 28 anos e hoje é o espaço preferido dos moradores da região, contando com teatro, restaurante, a choperia, o espaço de convivência e uma outra infinidade de lugares que possuem atividades para todas as idades. Elisa Maria Americano Saintive é a gerente há um ano. Moradora de Pinheiros, ela conta que seu trabalho no Sesc Pompeia é bastante puxado, o que não deixa muito tempo para que ela usufrua o bairro. Nesta entrevista, ela nos leva aos bastidores deste lugar que fez e faz uma grande diferença para a Pompeia e arredores.

Como funciona o Sesc?
O programa do Sesc é o mesmo em todas as unidades, voltado para a causa social e cultural. Tem algumas diferenças de uma unidade para outra, levando em conta a situação geográfica, a vocação de cada unidade. Por exemplo, Sesc Carmo tem como maior vocação a alimentação para o comerciário, porque há uma grande concentração de comércio. Nosso programa pretende elevar o padrão do cidadão – do comerciário, do prestador de serviços, dos familiares, de toda a comunidade – através das atividades que desenvolvemos. A arquitetura aqui usufrui de um grande benefício, que é o projeto arquitetônico da Lina Bo Bardi. Ela trouxe a cidade para dentro do Sesc Pompeia através da rua, a reprodução da área externa na área interna. O mesmo caráter espontâneo que o cidadão usufrui do equipamento urbano e as características da cidade, ele vai encontrar um pouco dentro do Sesc Pompeia.

Há quanto tempo você está no comando do Sesc Pompeia?
Completo um ano em janeiro. Mas já trabalhei em vários Sescs. Estou no Sesc há 30 anos. Fui gerente do Sesc Belenzinho, no antigo. Depois trabalhei no Sesc Avenida Paulista, como gerente também. E agora, finalmente, vim pra cá.

Qual é a maior vocação desta unidade?
Nós temos um foco muito grande na música. Desde sua criação, ele acabou se fortificando na área musical. Ele é muito reconhecido pelo público e pelos frequentadores como um grande difusor da música brasileira e agora da música internacional, que também estamos explorando bastante. E a choperia, que é um equipamento que não temos nas demais unidades, onde realizamos os grandes shows. Temos uma atividade de atendimento de cerca de 800 pessoas por dia.

E quem organiza esses shows, o Sesc Pompeia ou a central?
Na realidade é um trabalho em parceria que fazemos. Todas as unidades têm um setor da área de programação em que nós temos técnicos na área musical, artes cênicas, artes visuais, a parte esportiva. Uma vez que fazemos a programação semestral, anual ou mensal, essa apresentação é submetida à aprovação da administração geral. E lá ela será também avaliada por um núcleo musical das regras da administração central.

Aumentou o número de inscritos por ano no Sesc?
Em todas as unidades o número aumenta mesmo. Até porque hoje as pessoas estão mais empregadas, o comércio está absorvendo mais pessoas, graças a Deus. Então o poder aquisitivo está mais alto. Mas a carteirinha é gratuita. Aqui, nas inscrições dos cursos, oficinas, dos cursos permanentes, eram filas e filas. Nós não damos conta, a demanda é muito maior do que podemos atender. Inclusive alguns serviços são muito difíceis, como a área de odontologia: temos cinco consultórios abertos de manhã e à tarde, vamos abrir o terceiro período agora, mas tem filas imensas. São Paulo é uma cidade que está em franco desenvolvimento e o Sesc reflete isso.

Qual a importância desta unidade para a região?
Cada vez que vem uma unidade para um bairro, nós modificamos o funcionamento do bairro. A gente exerce uma força muito grande. Imagine que nós aqui no departamento esportivo atendemos 1.800 pessoas, devido às nossas atividades permanentes. Temos uma frequência diária de 4.500 pessoas. No restaurante, servimos 1.600 refeições diárias. E as pessoas que utilizam nosso restaurante são as pessoas do bairro, os trabalhadores do bairro. Nos finais de semana, temos um perfil mais diferente, mais familiar. O bairro e a região aceitam muito bem porque a gente traz serviços. Imagine como é bom ter um Sesc ao lado para poder fazer suas atividades.

Quantos cursos e atividades vocês têm aqui?
Não sei te dizer exatamente, mas temos mais de 30. Temos modalidades gerais, como ginástica, ginásio multifuncional. Existe uma variável. Também fazemos atividades só de final de semana, tem as atividades permanentes, e temos várias modalidades de exercícios, aulas abertas, oficinas, que têm alguns módulos que funcionam só aos domingos, por exemplo. Até para responder a uma demanda que não gosta ou não pode vir todos os dias. São pequenas atividades que atendem a isso. Os cursos da área da criatividade também funcionam assim.

Vocês têm atividades desde crianças até idosos. O Sesc tem essa preocupação de reunir toda a família num mesmo local?
O Sesc tem como meta e como padrão de trabalho que as atividades sejam socializantes. Não só vir o pai e a mãe. Nossas atividades são integradas. Nossa área de convivência, por exemplo, cabem todos lá. Temos uma área de leitura com jornais, livros e revistas, também temos jogos. Então temos os idosos lendo, jogando, as crianças brincando na área infantil, lendo os livros infantis. É muito tranquilo e tem essa convivência realmente. Em todos os nossos restaurantes são mesas coletivas, e não é por acaso. Elas são assim para ter uma socialização não só entre os familiares e amigos, mas entre as pessoas. Quem quer ter uma vida mais sozinha, mais privada, fica na sua própria casa. Quem vem ao Sesc faz parte de um grande grupo que interage direta ou indiretamente. Você pode estar só no boulevard para tomar um café, mas ao mesmo tempo tem uma atividade artística acontecendo na sua frente, várias intervenções. E serve até para quebrar um pouco do cotidiano, para tornar um ambiente mais alegre. Temos um público muito heterogêneo e isso que é a grande riqueza do Sesc.

Muitas das atividades são grátis. Isto é um estimulante para as pessoas buscarem cultura no bairro?
Sem dúvida. Nem sempre as pessoas têm disponibilidade de gastar e nós fazemos isso. Grande parte de nossas atividades são abertas gratuitamente ao público.

Este mês começou o Sesc Verão. Como ele é desenvolvido?
O Sesc Verão é uma atividade de caráter corporativo. O Sesc chama o representante de cada unidade e juntos eles definem um tema. Este ano é “Esporte para Todos”. Aí, quando vamos desenvolver as atividades, as unidades têm autonomia para desenvolver suas próprias atividades, obedecendo ao tema proposto. Na realidade, quem faz a seleção dos técnicos é a própria administração central. O perfil do profissional já é estabelecido por um grupo na administração, por isso temos a liberdade. Nossa equipe de programação está alinhada com o desejo do Sesc, a intenção, o padrão, a exigência, o conteúdo, os valores que nós queremos trazer para as nossas atividades.

Qual é a expectativa de você para este ano?
O Sesc Verão é bastante compartilhado, tem uma adesão imensa por parte das famílias e das crianças. Ele sempre acontece em janeiro e fevereiro, época de férias, e as atividades, embora sejam de caráter esportivo, não é necessário que a pessoa tenha uma boa performance ou alguma coisa de caráter competitivo. É apenas desenvolvimento de entretenimento, lúdico…

E quais são as novidades programadas para 2011?
Nós vamos expor grandes artistas plásticos, como o Olafur Eliasson, da Dinamarca. Ele é um artista muito importante e toda a população vai ter a oportunidade de ver seu trabalho. Terão as temporadas de teatro no espaço novo que foi inaugurado no final do ano passado. É um espaço alternativo, menor. Temos tudo desenhado até o final do ano. Só não temos ainda a confirmação das peças teatrais e dos shows musicais. Na parte musical, teremos a apresentação do saxofonista e flautista americano Yusef Lateef.

Você está convivendo mais com a Pompeia agora ou você já frequentava o bairro?
Eu não tinha convivência com o bairro. O problema é que não tenho muito tempo para sair. Isso tudo que te contei dá muito trabalho para nós. Já fui a alguns bares, vou também ao Sonda, aqui na frente, fazer minhas compras, e no Shopping Bourbon, mas muito raramente.

Então você não consegue aproveitar muito as atividades do Sesc?
Eu usufruo muito pouco. É um trabalho muito burocrático. Tudo depende de aprovação, assinatura, as discussões de todos os projetos são comigo. É muita coisa. Por isso conheço muito pouco o bairro. Mas acho extremamente simpático, tem muitos grupos de teatro, o cinema Lilian Lemmertz, muitas vezes eu vinha. Pena que fechou.

Como é trabalhar no Sesc?
Trabalhar no Sesc é muito sedutor. Todas as atividades são. Trabalhamos com alegria. Somos muito sortudos. Nós temos uma luz. É a nossa missão levar alegria para o público em todas as áreas. Eu entrei com 22 anos. Mas eu posso dizer para você que foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. E eu estou em uma unidade muito privilegiada.

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