A criação dos filhos hoje

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Foto: Tiago Gonçalves

Tiago Gonçalves
Terezinha Michelucci, atende famílias desde 1991.

Criar filhos não é uma tarefa fácil. Para entendermos melhor sobre o assunto, entrevistamos uma psicóloga e psicanalista, que atende famílias e tem consultório em Perdizes.

Terezinha Michelucci, psicóloga e psicanalista, tem especialização em psicopedagogia e atendimento individual e estrutura familiar pela Universidade de São Paulo (USP), intervenção precoce na relação pais-bebês pelo Instituto Sapientes. Ela atende em seu consultório de Perdizes desde 1991, bairro onde nasceu e mora.

Para a psicóloga, “Criar filhos nunca foi tarefa fácil. Os pais aprendem com os filhos e os filhos com os pais. Diferentemente hoje, os pais não podem contar com a ajuda dos avós como antigamente, mas desde sempre dentro de cada contexto, criar filhos têm suas dificuldades. Existem facilidades de ordem prática, papinhas prontas, fraldas descartáveis, babá eletrônica, esterilizadores, etc… Criar se estende ao educar, transmitir valores e formar pessoas de bem, isto não é tarefa simples”, diz Terezinha.

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As mães de hoje estão mais ou menos preparadas se comparadas às gerações anteriores? Terezinha explica que as gerações anteriores, “as mulheres tinham como objetivo casar e ter filhos. Hoje, além de desejarem ser mães, as mulheres querem construir e ter uma carreira profissional e social.” Para a psicóloga, “o preparo acontece no percurso da maternidade e ter filhos é um momento único, singular.Ter filhos é desejo”, lembra. No passado, “as mães ficavam em casa cuidando dos filhos, era o que desejavam. Era desta forma que entendiam ser seu lugar na família. Hoje, as mulheres sabem que podem ocupar vários lugares na família, na profissão, na sociedade, etc. e também realizar o desejo de ter filhos.” A educação deixou de lado a violência e o diálogo “é muito bem-vindo e funciona na educação dos filhos”, explica.

Para bem educar uma criança, nos dias de hoje, segundo Terezinha é “necessário comprometer os filhos em seus atos e ensiná-los desde sempre que todos os atos têm consequências e eles precisam aprender a bancar. Cada família deve ter suas regras para fazer valer as normas, porém sem violência!”, adverte.

E a palavra ‘não’ é a palavra-chave na educação. “É a palavrinha mágica muito importante na formação dos filhos. O ‘não’ abriga o limite, que é o maior desafio para os pais hoje. O medo das mães e dos pais ao dizer ‘não’ aos filhos pode tratar-se de insegurança quanto ao lugar de autoridade. Se tornam autoritários e se perdem a autoridade, os filhos ficam sem referência, e com isso manipuladores, intoleráveis, inseguros, em casa e nas convivências sociais. Os pais devem ser coerentes, educar com amor, dar autonomia para fazer escolhas e se responsabilizarem por elas.”

Felizmente nos tempos atuais, segundo a psicóloga, aumentou a parceria do pai na educação dos filhos. Terezinha afirma que “o pai deixou de ser somente o provedor e divide com a mãe a responsabilidade da educação. Esta parceria é importante e traz benefícios para os filhos, diminui a distância que antes os filhos tinham dos pais…”
A tecnologia é uma das facilidades da atualidade e está mais próxima das famílias. Mas, a psicóloga alerta que smartphones e tablets, entre outros, “tanto afasta como aproxima as famílias”. Como no caso dos familiares, quando cada um está no seu quarto com a tevê ligada e o celular conectado. “Se moram distantes é o modo mais eficaz de manter as relações familiares. A tecnologia está aí, cada vez mais presente nas famílias, nos lares…, a questão é o que fazer com isto, como lidar com esta demanda cada dia mais presente. Sabemos que não é possível descartar o uso destas ferramentas, e como limitar o uso para os filhos se os pais as utilizam 24 horas por dia? Hoje é o ‘modus vivendi’”, lembra.

“Os pais são os responsáveis pela transmissão de valores”, diz Terezinha ao explicar como os pais devem passar aos filhos os conceitos de ética, de tolerância com os diferentes, da concorrência e as expectativas dos pais em relação aos seus filhos, “e isto acontece através de atitudes e comportamentos que os pais têm no dia a dia. Todos querem ter filhos brilhantes, atletas, etc. Porém, vencer com brio e naquilo que os fazem felizes deve ser a preocupação dos pais”, conclui.

Terezinha Michelucci, psicóloga e psicanálise, Rua Itapicuru 369, conj. 1401, Perdizes, Telefone 3871-3923, tmichelucci@yahoo.com.br

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