A dona da voz

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A dona da voz

Simone Kliass é uma profissional da voz. É sua voz que escutamos no aeroporto de Cumbica ou no computador que avisa que “suas definições de vírus foram atualizadas”… Ela sempre morou entre Perdizes e Pompeia e venceu a timidez graças às aulas de teatro. 

O primeiro trabalho como atriz mirim foi aos nove anos. Aos 15 fez sua primeira locução para uma revista de teens e não parou mais. Apresentou programas de música country na TV, faz vídeos de treinamento e institucionais para grandes empresas, como Itaú e Volkswagen. É também atriz de teatro e mestre de cerimônias de eventos corporativos. A entrevista foi feita no estúdio de áudio Tentáculo, em Perdizes, minutos antes de Simone entrar para mais uma gravação. 

Como iniciou sua carreira de locutora?
Eu acompanhava minha mãe, Beatriz Kliass, modelo nas gravações de comerciais que ela fazia. Eu era muito tímida, do tipo que ficava vermelha quando alguém falava comigo. Mas quando chegava naquele ambiente, perdia a timidez e me soltava. Na mesma época eu fazia curso de teatro, para me soltar mais. Mas antes de fazer locução, fiz filmes comerciais. O primeiro foi com as bonecas Moranguinho, da Estrela. O primeiro trabalho como locutora aconteceu aos 15 anos, para o lançamento da revista teen Querida. Além do lançamento, fiquei um ano fazendo chamadas mensais. 

Quem descobriu você para a locução?
Foi o Ed Cortês, que é o dono da produtora Tentáculo, onde estamos gravando esta entrevista. Na época, a produtora ficava em Higienópolis e chamava-se Supersonica. Ele e a sócia Paula me deram incentivo e todas as dicas iniciais. Foram meus tutores. Fiquei um tempão trabalhando exclusivamente para eles e nunca nos separamos. São uns queridos. É claro que os cursos de teatro e de locução que eu havia feito também me ajudaram bastante.

Qual é a sua formação?
Por influência, e como meu pai é professor da Fundação Getúlio Vargas, me formei em administração de empresas, que também fiz por gosto. Além da área artística, gosto muito dessa área, de marketing, de vendas, de treinamento… Estudei no colégio Vera Cruz, que tinha artes em seu currículo e eu adorava. Como atriz professional, sou formada pelo Teatro Escola Célia Helena, que é um dos melhores que temos e ao mesmo tempo fiz curso de locutora no Senac da Scipião, na Lapa.

Você tem outras atividades?
Estou meio afastada do teatro, mas pretendo voltar em breve. Atualmente estou fazendo um curso com meu amigo Eduardo Muniz, que ensina uma nova técnica norte-americana que se chama “como parar de atuar”. É muito interessante e a técnica serve para atuar melhor, com mais sinceridade e espontaneidade. Sou mestre de cerimônias de eventos, fiz e faço TV. Apresentei programas de música country e programas institucionais e de treinamento.

Para cada trabalho você cria um padrão diferente de voz?
Eu vario muito a voz conforme a necessidade. É meu instrumento e, como atriz, eu procuro e tento ser cada vez mais pessoal e próxima do ouvinte. Consigo fazer uma gama muito grande de vozes e entonações. 

Em quanto tempo você se prepara?
É tudo muito rápido. Muitas vezes eu recebo o texto na hora que vou gravar no estúdio. Chego dou uma lida e já saio gravando. Geralmente o primeiro take é que acaba sendo o escolhido, mas fazemos outras opções para o cliente escolher aquele que acha melhor. Afinal, é ele quem paga pelo serviço. 

Desde fevereiro deste ano, o aeroporto de Guarulhos escolheu sua voz para ser a oficial. Como aconteceu esse trabalho?
A produtora que me convidou para um teste e pediu que passasse para o público confiança, emoção e proximidade para com os passageiros. E fui escolhida, foi muito legal. Fiz a gravação em português, inglês e espanhol. Quando vou ao aeroporto e me ouço, acho muito interessante e curioso. 

Faz falta não ser conhecida do público?
Não ser reconhecida não é problema para mim. Quando fiz TV aberta (Cultura) ou canal a cabo (Multishow ou CMT – Country Music Television), apresentava os programas no vídeo. O que importa é fazer um trabalho profissional, correto e ser reconhecida pelo mercado.

E a gravação do Avast! “suas definições de vírus foram atualizadas”?
É uma das minhas gravações mais acessadas e pouca gente sabe quem é a dona da voz. Mas fiz muitas gravações para atendimento digital, centrais telefônicas e outros trabalhos onde a voz entra. São muitas as aplicações de voz em várias situações e a grande maioria das pessoas desconhece ou não tem ideia. 

Você teve algum imprevisto ou fato curioso na carreira que poderia contar?
Como mestre de cerimônias, outro trabalho que faço bastante e sempre sou requisitada, já aconteceu de ter protesto contra político presente ao evento, com faixa de protesto e tudo o mais. Tem também aquelas pessoas que chamamos ao palco e elas não entram. Nessa hora, meu lado de atriz e minha experiência me ajudam muito a improvisar sem perder o ritmo da festa. Sempre tem um desafio novo. 

Seu marido também é locutor?
Sou casada com um norte-americano, Jason Bermingham, locutor e jornalista. Foi com ele, que é um cowboy, que aprendi a gostar do country como gênero musical. 

Qual é sua participação como diretora do Clube da Voz, que reúne locutores profissionais?
É uma associação de locutores profissionais. Somos menos de 50 e todos entram por mérito e precisam ter trabalhos em todo o Brasil. Entrei em 2011 e sou diretora social. O clube representa essas pessoas mas não é uma agência. Juntos, trocamos ideias, nos ajudamos e promovemos nosso trabalho. Nossas reuniões são muito engraçadas. É uma mistura de voz de profissionais que nos lembra determinadas marcas, campanhas… Também fazemos ações beneficentes. 

Que dicas você dá para quem quer entrar na profissão?
Estudar e se preparar bastante e sempre, é a recomendação que dou. O mercado da locução é bastante concorrido, mas vale a pena. Eu sou muito feliz fazendo o que gosto.

Qual é a sua ligação com o bairro?
Nasci e sempre morei pela região, em vários lugares. Nunca saí daqui. Estar perto das produtoras é muito bom para nós. Gosto de muita coisa aqui do bairro. Vou à praça da Sabesp, faço academia e ioga por aqui, vou muita à padaria Nova Charmosa, na Rua Homem de Melo. Procuro fazer tudo aqui pelo bairro. Como atriz, acho uma delícia ir ao teatro. Vou e gosto dos da PUC, do Viradalata, do Teatro do Centro da Terra… Vou sempre ao Parque da Água Branca. De comida, temos agora a rotisseria do Sérgio Arno, que faz entrega em casa, a pizzaria 1900 é outro endereço que frequento. E o Shopping Bourbon tem, além do mercado, o teatro e o cinema 3D, que é muito legal e não tem igual. Adoro morar por aqui! 

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